Archive for 18 de Janeiro de 2016

Nota zero na redação – Artigo do Prof. Teodoro

Opinião/Professor Teodoro, Deputado estadual

Deputado Professor Teodoro Soares (PSD). Foto - Herbênya Alves

Deputado Professor Teodoro Soares (PSD). Foto – Herbênya Alves

Muita gente ainda se choca com o elevado número de alunos que tiram nota zero no Enem. Na última edição, o tema voltou à tona, sendo muito criticada a qualidade da educação no Ensino Médio, tendo em vista o desempenho dos alunos, em destaque os mais de 53 mil candidatos que zeraram a nota da redação.

A rigor, o número é bem inferior ao do Enem anterior, o de 2014, quando a nota zero na redação foi atribuída a 529.374 candidatos. Mais de meio milhão de alunos registraram completa deficiência em se manifestar na forma escrita. O universo é de jovens dos 17 aos 19, concludentes do Ensino Médio. Pessoas que terão dificuldade para seu desenvolvimento profissional e que afeta o do próprio país.

Uma redução de mais de meio milhão para pouco mais de 50 mil é muita expressiva e deveria ser alvo de comemoração. E também de estudo para entender o que houve no país para que o resultado fosse assim tão diferente do ano anterior. Na verdade, foi apenas a mudança de metodologia do Ministério da Educação.

O ministro Aloízio Mercadante explicou: “A diferença é que separamos os candidatos que deixaram a redação em branco dos que realmente tiraram zero”. No Enem, a redação recebe zero quando o texto possui desenhos ou informações desconexas, quando o candidato deixa a prova em branco ou escreve menos de sete linhas, ou o texto não segue o tipo exigido (dissertativo-argumentativo).

O MEC resolveu desinflar o número de candidatos com nota zero, simplesmente deixando fora das estatísticas aqueles que nem sequer se atreveram a escrever, mesmo sabendo que receberiam zero e ficariam de fora da lista dos classificáveis.

De qualquer forma, inegável o enorme contingente de estudantes que terminam o Ensino Médio sem saber se expressar por escrito. Revela o fracasso do ensino da língua pátria, revela que somos um país de não leitores.

Uma frase atribuída ao padre Osvaldo Chaves, grande professor e poeta, diz que escrever sem ler é como fazer penteado em garrafa. A leitura, principalmente a dos clássicos, é fundamental para quem deseja escrever e se desenvolver intelectualmente. Além de nos acostumar com a estrutura da língua, com sua gramática e sintaxe, serve para ampliar a visão de mundo do leitor, em contato com as narrativas de grandes escritores.

A leitura deve ser estimulada em todas as ocasiões possíveis. Um bom leitor de livros sempre terá mais chance de ter sucesso na vida. Na Assembleia, tomei algumas iniciativas nesse sentido. Um dos projetos mais recentes trata da lotação de um bibliotecário nas escolas, um profissional com perfil de emulação ao hábito de ler.

Também apresentei um projeto da cesta de livros de autores cearenses. Se a leitura é necessária para tomarmos contato com diversas culturas, a leitura de nossos autores serve não apenas para valorizar nossa produção cultural, mas também para disseminar nossos sentimentos, nossas peculiaridades, servindo para elevação da autoestima.

Como diz Jose Raul Marti, a leitura liberta.

Curso de inglês traduz material didático para braille

No Estado, existem cerca de 1,8 milhão de pessoas com algum grau de deficiência visual. Foto - Divulgação

O Estado tem 1,8 milhão de pessoas com deficiência visual. Foto – Divulgação

 

A falta de acessibilidade para pessoas portadoras de algum tipo de deficiência no Ceará é um problema enfrentado por 27,69% da população. No Estado, existem cerca de 1,8 milhão de pessoas com algum grau de deficiência visual, mais de 24 mil se declararam cegos, segundo o Censo de 2010.

Ítalo Gutierrez, 22 anos, sempre alimentou o sonho de aprender falar inglês. “Quando pensava sobre como superar a minha deficiência (visual), nunca pensei naquelas coisas comuns que todo cego pensa: ser independente, trabalhar etc. O que eu desejava era aumentar a minha bagagem intelectual e conseguir “enxergar o mundo” através do conhecimento”. Ítalo lembra-se que começou a buscar informações acerca de um curso de inglês que atendesse as suas especificações. “Não podia ser qualquer um. Eu precisava me sentir integrado e, de fato, fazer parte da escola. E o conteúdo também precisava ser dinâmico e, se possível, disponibilizado em Braille”.

Através de um colega, também cego, ele descobriu que o curso Hilpro disponibilizava material didático em Braille. A escola já havia solicitado a Cambridge e Oxford University Press os livros adotados na instituição.

No caso do Ítalo, porém, o primeiro livro para o curso básico foi traduzido do inglês para o Braille, através do Centro de Referência e Atendimento Especializado do Estado do Ceará (CREAECE), em Fortaleza. A Hilpro disponibilizou todo o material didático, enviou para a CREAECE e o Ítalo que trabalha na instituição, conseguiu a produção do livro em Braille. “No início minha turma era meio tímida. Resolvi mudar para a outra turma e o resultado me surpreendeu. Aqui me sento integrado, valorizado. Dentro da sala de aula, esqueço que não enxergo”, resumiu.

Fonte: Agência da Boa Notícia (ABN)

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