Archive for 30 de janeiro de 2016

Jovens sem escola e sem trabalho – Artigo do Prof. Teodoro

Opinião/Professor Teodoro –  Deputado estadual

Deputado Professor Teodoro (PSD). Foto - Arquivo

Deputado Professor Teodoro (PSD). Foto – Arquivo

Relatório do Banco Mundial, divulgado este mês de janeiro, revela um problema que persiste sem solução nos últimos anos na América Latina e no Brasil – jovens de 15 a 24 anos que estão sem escola e sem emprego. Chamados de Nem-Nem (nem trabalha nem estuda), eles representam 20% dos jovens, um contingente de cerca de 18 milhões de pessoas na América Latina.

O relatório também traz números sobre o Brasil, que segue a média da região: 1 em cada 5 jovens não estuda nem trabalha. Essa proporção se mantém ao longo dos últimos 20 anos, a despeito do crescimento econômico, e da redução da pobreza e das desigualdades verificadas a partir dos anos 2000. Apesar da estabilidade na proporção, há desequilíbrio de gênero. As mulheres, que respondem por 66% dos Nem-Nem, vêm diminuindo seu percentual, enquanto aumenta o número de homens.

Entre os fatores de riscos mais citados, estão a gravidez precoce, entre as mulheres, e o desemprego, entre os homens. Como os dados compreendem o período de 1992 a 2010, certamente o número deve ter crescido ainda mais, com a crise econômica que se abate sobre o país desde 2013. Mais de 60% desses jovens são da faixa dos 40% mais pobres, os que mais precisam de educação para transformar sua vida.

Se a redução do número de mulheres é uma notícia positiva, pois pode estar atrelada ao fato de redução de gravidez em adolescentes, é preocupante uma tendência, especialmente para os homens. É maior a probabilidade de eles abandonarem cedo a escola para trabalhar no mercado informal, tangidos pelas necessidades. Como são atividades temporárias e precárias – sem garantias trabalhistas –, eles acabam perdendo o emprego e não voltam à escola. Sem escolaridade suficiente, eles continuarão com poucas chances de conseguir um emprego estável, alimentando o ciclo que os empurra para o limbo social.

Um estudo brasileiro elenca os motivos do abandono escolar, muitos deles semelhantes ao do relatório do Banco Mundial. Pesquisa com mais de 8 mil jovens, em cinco capitais e em outras cinco cidades com mais de 100 mil habitantes, registrou as seguintes causas para o abandono dos estudos: necessidade de trabalhar (28%), questões de família (21%), gravidez (11%). O ambiente escolar é responsável por 19% (inclui não gostar de estudar, problemas na escola, ensino desinteressante e colégio violento). Também é sabido que outros motivos, como o atraso e a repetência contribuem para o abandono.

Se pouco pode fazer em relação aos fatores externos, a escola não pode abrir mão de solucionar aquilo que está ao seu alcance: transformar o ensino numa atividade interessante. E nesse papel, o professor é protagonista. Noutro estudo, jovens afirmaram que gostavam ou não de estudar certa disciplina não por causa do tema ensinado, mas pela qualidade do professor. A Atitude do professor é que faz o estudo (ou a disciplina) ser interessante ou não. E isso determina o futuro dos alunos.

 

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