Mudança no Ensino Médio – Artigo do Professor Teodoro

Opinião/Professor Teodoro – Deputado Estadual

Deputado Professor Teodoro Soares (PSD). Foto - Arquivo

Deputado Professor Teodoro Soares (PSD). Foto – Arquivo

O novo titular do Ministério da Educação, deputado Mendonça Filho, promete um novo currículo nacional e mudanças significativas no Ensino Médio. Segundo ele, esses dois tópicos, se realizados, serão as principais marcas e legado de sua gestão, nesses dois anos de mandato do presidente Michel Temer.

Ele chegou à pasta da Educação, quando já estava em discussão e andamento a proposta de uma nova base curricular. Os resultados preliminares apresentados causaram muita repercussão devido ao viés ideológico, que trocava questões clássicas de estudo por outra narrativa. As distorções chegaram ao ponto de diminuir na História o papel da Grécia, Roma e Revolução Francesa, berço da civilização ocidental, para realçar um suposto protagonismo africano.

A elaboração da proposta, cuja discussão se dava somente no ambiente universitário, ficou a cargo também de outros entes como a Academia Brasileira de Letras e o Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa). Com a ampliação do leque de estudiosos, a proposta inicial já avançou, com a retirada daquelas distorções, mas ainda precisa ser aprimorada.

A ideia da nova base nacional curricular é fazer com que os estudantes brasileiros dominem o mesmo conteúdo e habilidades, de acordo com a faixa etária, e em qualquer localidade nacional. Visa dar equidade, pelo menos na grade comum de conhecimentos. Essa grade comum, certamente será ampliada e se adaptará às circunstâncias locais e regionais. Segundo o ministro Mendonça Filho, nessa discussão da base curricular vai se circunscrever ao Ensino Fundamental. Para o Ensino Médio, pretende fazer transformação radical, pois hoje é o principal gargalo do sistema educacional. O índice de sucesso dos alunos nessa etapa é muito ruim, fazendo com que grande parte não conclua os estudos.

As vulnerabilidades da educação básica repercutem no ensino superior. Por isso, o Brasil está muito aquém dos países desenvolvidos em relação ao acesso dos jovens ao ensino superior. Quando nos deparamos com a estarrecedora taxa de apenas 16% de jovens na universidade, nós nos perguntamos sobre o destino dos demais 84% dos jovens. A grande maioria deles faz parte do enorme contingente da chamada geração “nem-nem”: nem estuda, nem trabalha. O modelo do ensino médio brasileiro é único, nada se compara em outros países. De engessado, deve passar a ser mais flexível. De acordo com o MEC, a ideia é exigir uma base única para todos os alunos, até certo ponto: “Depois cada um seguiria sua própria trilha: uns montando sua própria grade, de acordo com seus interesses na escola tradicional; outros, seguindo a rota do ensino técnico”.

Com a mudança do Ensino Médio, o Enem deverá ser adaptado. O exame cobraria de todos o conhecimento em Português, Matemática e Inglês. A depender do curso que se pretende, teria outro exame para testar a aptidão em ciências humanas, exatas ou biomédicas. O Ministro, que não é da área educacional, fará muito pela educação brasileira se cumprir a promessa dessas mudanças: a nova grade curricular e a reforma do ensino médio, para evitar que tanta gente fique fora da escola, e que Brasil não fique à margem do desenvolvimento.

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