Archive for 2 de maio de 2017

Sobral presta homenagem a Belchior no Teatro São João

Teatro

Velório ocorreu no Teatro São João, em Sobral. Fotos-Divulgação

Belchior foi velado no Teatro São João, em Sobral (CE), terra natal do cantor, na manhã de segunda-feira, 1º de maio, em meio a músicas e fotos de momentos especiais da carreira artística. O avião que fez o traslado do corpo, vindo de Porto Alegre, aterrissou na cidade às 7h40. Estavam no voo a viúva Edna Prometeu e duas irmãs do compositor, Lília e Ângela, além de alguns sobrinhos. Do aeroporto, o caixão seguiu em cortejo em um carro do corpo de bombeiros. O governo do Ceará e as prefeituras de Sobral e Fortaleza decretaram luto oficial de três dias.

Homenagem de Sobral ao cantor e compositor Belchior

Homenagem de Sobral ao cantor e compositor Belchior

Na chegada ao teatro, a banda da cidade tocou “Apenas Um Rapaz Latino-Americano”. E, durante todo o velório, foram executadas canções do compositor. A partida para Fortaleza, às 11h40min, para velório e sepultamento, foi marcada por uma chuva de pétalas de rosas e aplausos.

Ca

Corpo de Belchior ficou em Sobral durante a manhã, de 7h40min até 11h40min

O prefeito Ivo Ferreira Gomes destacou que foi com profundo pesar que recebeu a notícia da morte do cantor e compositor Belchior. “Autor de mais de 20 discos, Belchior deixa seu legado artístico e cultural para o Brasil e para mundo, com composições que marcaram décadas nas vozes de grandes artistas brasileiros. O povo sobralense se orgulha do seu filho ilustre”, enfatizou o prefeito de Sobral.

O secretário da Cultura do Ceará, Fabiano dos Santos Piúba, participou da despedida, representando o governador Camilo Santana.

Apresentação do coral V

Apresentação do coral Vozes de Sobral, da Escola de Música do Município

No adeus ao cantor e compositor Belchior, foi formada uma grande fila de fãs na Praça São João, com acesso ao Teatro durante toda a manhã. Apresentações da banda Trovador Eletrônico e do Coral Vozes de Sobral foram acompanhadas por todos, com muita emoção.

Teatro São João, no centro da cidade de Sobral

Teatro São João, no centro da cidade de Sobral

No palco também houve uma cerimônia litúrgica, com o Padre Jairo Linhares, que abençoou e recomendou o corpo do cantor para ser transladado para a capital. O religioso citou, além de passagens bíblicas, trechos de músicas do cantor e compositor. “Obrigado por ter escolhido voltar para o seu povo, Belchior”.

Cortejo em um carro do corpo de bombeiros, do Aerporto até oi Teatro São João

Cortejo em um carro do corpo de bombeiros

Trajetória

Nascido em Sobral, no Ceará, em 26 de outubro de 1946, Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, conhecido como Belchior, estudou medicina em Fortaleza, mas abandonou o curso antes de se formar para se dedicar a vida de músico. Entre 1965 e 1970, tocou em festivais de música no Nordeste e, em 1971, venceu o IV Festival Universitário da MPB com a canção “Na Hora do Almoço”.

O canto de Leo Mackeliene, da banda Trovador Eletrônico

O canto de Leo Mackeliene, da banda Trovador Eletrônico

Foi nos anos 1970 que o compositor consolidou sua discografia, sempre com letras que se aproximam das artes, da filosofia e da literatura. “Mote e Glosa” (1974), seu disco de estreia, é o cartão de visitas do projeto musical de Belchior. O trabalho contém canções como a que dá título ao álbum, além de “A Palo Seco” e “Todo Sujo de Batom”.

Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes

Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes

Dois anos depois, ele lança “Alucinação”, álbum que marca a sua carreira e que o firmou como grande revelação da MPB. Nele, estão clássicos como “Apenas um Rapaz Latino Americano”, Velha Roupa Colorida”, “Sujeito de Sorte” e “Como Nossos Pais”, música que ficou conhecida na voz da cantora Elis Regina.

Sucesso popular e de crítica, o músico chegou a lançar mais álbuns, entre eles “Coração Selvagem” (1977), “Era Uma Vez um Homem e o Seu Tempo” (1979), “Cenas do Próximo Capítulo” (1984), “Elogio da Loucura” (1988) e “Baihuno” (1993), que consolida as principais ideias que o músico teve em sua carreira.

Alucinação
Trechos da música

Eu não estou interessado
Em nenhuma teoria
Nem nessas coisas do oriente
Romances astrais
A minha alucinação
É suportar o dia-a-dia
E meu delírio
É a experiência
Com coisas reais

Amar e mudar as coisas
Me interessa mais
Amar e mudar as coisas
Amar e mudar as coisas
Me interessa mais

Uma festa para o trovador Belchior. A despedida dos filhos

Filhos de Belchior, Mikael e Camila se despedem do pai. Família do artista cearense esteve reunida em espaço dedicado às últimas lembranças. Fotos -Mateus Dantas

Filhos de Belchior, Mikael e Camila se despedem do pai. Família do artista  esteve reunida em espaço dedicado às últimas lembranças. Fotos -Mateus Dantas

Milhares de fãs do cantor Belchior transformaram o velório do artista numa festividade. Ao modo de suas composições, o coragem selvagem foi a senha para que a tristeza fosse afastada e no palco da despedida restasse apenas a força poética e política de suas músicas.

homenagem na despedida do cantor e compositor Belchior

Homenagem na despedida do cantor e compositor Belchior

Feito canção, o velório de Belchior virou festa. Morto na madrugada do último domingo, no extremo sul do País, o artista cearense, cujo sepultamento será hoje, no Cemitério Parque da Paz, às 9 horas, fez a derradeira travessia: agora não apenas geográfica, mas de corpo e alma.

Foi acompanhado nesse périplo por seis mil pessoas, que ocuparam o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura desde as primeiras horas de uma segunda-feira de cidade vazia, dia em que o equipamento normalmente fecha. Mas não ontem.

Nessa última festa para o trovador, o gesto de despedida foi inusual: bares cheios, música em toda parte, garrafas de vinho abertas e nada de silêncio misericordioso.

O coração selvagem pedia passagem, e os fãs ofereceram o que sua própria música lhes havia ensinado: amor e coragem. Foi o que levou José Edson, 63 anos, ao encontro tardio com o ídolo.

Conhecido como “Belchior do Dragão”, menos pela voz que pela semelhança física (bigodes fartos e ar pesaroso), o vendedor chegou cedo. Ficou por ali mastigando a tristeza debaixo da cúpula do planetário. Morador do Poço da Draga, queria celebrá-lo, mas não conseguia aceitar a partida. Até que admitiu: talvez cantasse, algo que nunca lhe tinha passado pela cabeça até então.

“Quem sabe a partir de agora não faço alguma coisa pra compensar a ausência dele”, disse. Começou imediatamente: foi até a fila que havia se formado para velar o corpo. Parou. Sorriu. Fez fotos, foi abraçado e beijado. Alguém achou que fosse o Belchior redivivo. Não disse um só verso, mas estava feliz.

Assim como Fausto Nilo, amigo de Belchior havia quase seis décadas, quando  o conheceu no Liceu do Ceará. O compositor e arquiteto também se desconsolou de imediato, mas logo cuidou em reavivar a última vez em que se falaram, quase dez anos atrás.

“Foi aqui mesmo, no Dragão do Mar. Eu tinha acabado de fazer um show, e ele estava ali, num banco da praça”, e aponta para o longe. Para ele, Belchior ainda estava lá. Era mais que uma lembrança na parede da memória.

O mesmo se deu com Emerson Damasceno, 46. Cadeirante, pôs-se em marcha até o Dragão para ver o cantor, de quem sentia saudade, mas também uma profunda sensação de agradecimento. “Belchior era atemporal.  Não morre”, resumiu.

O sobralense Rondinelly Mota, 30, foi além: como se para se convencer de que não era inverdade a notícia da morte, entrou na fila duas vezes para se despedir. Feito isso, foi comemorar com a namorada, Lívia Cunha Ribeiro. Tomaram um porre. “Belchior é nossa trilha amorosa”, contou. “Ele ensinou que a felicidade não precisa de nada, só de acontecer.” E foram beber mais.

Último na fila às 21 horas, Jeymson Xavier, 32, sintetizou o transe coletivo: “Não há tristeza. Belchior é juventude, força, e é isso que queremos sentir”. De braço dado com o namorado, Aline Miranda, 34, completou: “Ele não é antigo. É contemporâneo”.

E então repetiu a frase que mais se ouviu numa cerimônia que, como a obra e a vida do cantor, foi toda ao avesso:

“Sempre desobedecer, nunca reverenciar”. Atrás do casal, outros já se punham a andar. Eles não eram mais os últimos.

HENRIQUE ARAÚJO

Jornal O Povo – versão impressa

Cantor Belchior é enterrado ao lado dos pais em Fortaleza

Cantor e compositor é enterrado em Fortaleza (Foto: Aurélio Alves/Especial para O POVO)

Cantor e compositor é enterrado em Fortaleza.Fotos- Aurélio Alves/ O POVO)

O corpo do cearense Belchior foi enterrado, no fim da manhã desta terça-feira, 2, no cemitério Parque da Paz, em Fortaleza, no mesmo jazigo onde estão supultados seus pais. Antes, uma missa em homenagem a ele encerrou o velório do cantor e compositor no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.

O corpo foi velado até as 7 horas desta terça-feira, 2, com 8 mil pessoas celebrando a vida e a obra do cearense.

Missa em homenagem a Belchior (Foto: Aurélio Alves/O POVO)

Missa em homenagem a Belchior no Centro Dragão do Mar

Após a missa, acompanhada por cerca de 300 pessoas, o corpo foi levado ao cemitério Parque da Paz, onde ocorre o enterro fechado para familiares. A missa desta manhã foi celebrada pelo Frei Ricardo Régis.

 

Corpo sendo levado ao cemitério, em Fortaleza

Corpo sendo levado ao cemitério, em Fortaleza

Ao todo, mais de 11 mil pessoas passaram pelos velórios de Belchior, sendo que 8 mil pessoas na capital cearense e três mil em Sobral.

O corpo de Belchior foi levado no carro do Corpo de Bombeiros; o percurso foi pela Ildefonso Albano, avenida Abolição, Rui Barbosa, Monsenhor Salazar e BR-116, passando pelo viaduto do Makro, Alberto Craveiro, rotatória do Castelão e avenida Juscelino Kubitschek.

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