Terra em Transe abre Festival de Jericoacoara Cinema Digital

Paloma Rocha

Paloma Rocha, filha do cineasta baiano Glauber Rocha.Fotos-Divulgação

Cinema com o pé na areia. Jericoacoara recebeu na noite de quarta-feira, 7 de junho, a abertura da sexta edição de seu Festival de Cinema Digital, que segue até o dia 13, com entrada franca em toda a programação, incluindo debates, oficinas e uma mostra competitiva com 30 curtas-metragens de realizadores de 13 estados brasileiros. A noite de abertura do festival contou com a presença do diretor do evento, cineasta cearense Francis Vale e de Paloma Rocha, filha do cineasta baiano Glauber Rocha (1939-1981), comentando o filme “Terra em Transe”, lançado há 50 anos e exibido no início do festival, como obra homenageada nesta edição.

Francis

Cineasta Francis Vale, diretor do festival em Jericoacoara

 A efeméride de “Terra em Transe”, um dos filmes mais emblemáticos de Glauber, conta com dois dias de seminário sobre a obra, nestas quinta e sexta-feira, com a participação de Paloma Rocha. Tendo como mestra de cerimônias a cantora Téti, do Pessoal do Ceará, o festival foi aberto com o público tomando a maior parte dos lugares no Polo de Atendimento à Criança e ao Adolescente de Jericoacoara.

“Nesses últimos meses a gente apresentou várias vezes o filme, mas hoje eu fico particularmente emocionada de apresentar pra vocês aqui hoje, pela força que ele tem”, destacou Paloma Rocha.

 “A história se passa em qualquer país da América Latina, mas sobretudo fala muito sobre o janguismo no Brasil, a queda das esquerdas, depois a queda das direitas também. O que está acontecendo agora que está caindo tudo. E depois o que sobra é o triunfo da beleza, da poesia”, complementou a filha de Glauber Rocha.

Francis Vale, diretor do festival, agradeceu pela presença de Paloma Rocha e dos cineastas de 13 estados que vieram a Jericoacoara, especialmente para o evento. “É com muita alegria que fazemos mais esta edição do festival, porque queremos prestigiar os realizadores desses 30 filmes da mostra competitiva, além de homenagear os 50 anos do ‘Terra em Transe'”, ressaltou Francis, sob muitos aplausos.

 “Achávamos que alguém precisava fazer alguma coisa no Ceará para homenagear esse filme, ou passaríamos em branco. É um filme importante pra que nós compreendamos o que é o Brasil de hoje, inclusive, porque ele é um filme que trata da política brasileira durante o século XX, e quem sabe durante todos os séculos”, apontou Francis Vale.

 Cópia salva após exílio de Glauber

de “Terra em Transe” em Jeric  A cópia de “Terra em Transe” exibida na abertura do Festival de Jericoacoara Cinema Digital foi restaurada em 2003 e 2004, a partir de um interpositivo que estava na Alemanha, revelou Paloma Rocha. “Tanto este filme quanto ‘O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro’ e quanto inúmeros filmes brasileiros dessa época perderam seus negativos, suas cópias, porque os cineastas iam pro exílio e levavam esse material. Não se tinha nenhuma possibilidade de ver o filme. AS cópias eram deterioradas”, frisou Paloma.

 “Foi feito um trabalho muito sério, com o Lauro Escorel, o Barreto, a gente reuniu toda a equipe original do filme, e conseguiu restaurar, com muita dificuldade. Mas chegamos a esse resultado que está aqui. Hoje temos cópias em 35mm”, acrescentou.

Com informações da Assessoria de imprensa do festival

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