Archive for 24 de junho de 2017

Inaugurado o Aeroporto Regional de Jericoacoara

O governador Camilo Santana participou do voo inaugural, que veio de Congonhas, em São Paulo

Governador Camilo Santana participou do voo inaugural.Fotos-Marcos Studart

O Litoral Oeste cearense mira novas possibilidades para o turismo da região. Com a inauguração do Aeroporto Regional de Jericoacoara  Comandante Ariston Pessoa neste sábado (24), recebendo seu primeiro voo comercial, vindo de Congonhas, em São Paulo, o equipamento pode ampliar o número de turistas em, aproximadamente, 7% neste primeiro ano de funcionamento. Nos próximos três anos, é esperado que esse índice seja 20% maior, conforme aponta a Secretaria do Turismo do Ceará (Setur).

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Aeroporto Regional de Jericoacoara recebeu várias autoridades

O governador do Ceará, Camilo Santana, participou do primeiro voo que liga diretamente o estado paulistano a um dos destinos litorâneos mais procurados do Brasil e do mundo. O chefe do Executivo chegou ao aeroporto de Congonhas por voltas das 9 horas e foi recebido pelos presidentes da Gol e CVC, empresas que fretaram e comercializaram o voo inaugural, respectivamente. Durante embarque, Santana cumprimentou os passageiros ao som do forró do cantor cearense Waldonys, também presente no no Boeing 737-800. A aeronave veio com a capacidade total de 177 passageiros.

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Governador disse que a obra é um marco histórico para a região

“É um marco histórico para a região. O aeroporto vai abrir as portas para oportunidades, empregos e qualificação de mão-de-obra local”, afirmou o governador, após ser recepcionado no equipamento cearense por um grupo local de capoeiristas. “Foi uma viagem que envolveu uma série de sentimentos, de emoções. Foi um misto de entusiasmo e ansiedade. A alegria dos turistas, no avião, foi impressionante”, comentou sobre o voo.

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O dia foi de muita festa na inauguração do aeroporto

De acordo com o chefe do Executivo estadual, como Jericoacoara integra uma Área de Preservação Ambiental (APA), a ideia é que “se possa manter esse estilo, bonito, natural, do Parque Natural de Jericoacoara”. “Por meio da comunidade local, do Ministério do Meio Ambiente, a ideia é que a gente construa, de forma sustentável, o turismo da região”, argumentou.

Homenagem

Aeroporto recebeu o nome do comandante Ariston Pessoa

Também presente no voo e na cerimônia de inauguração, o ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Maurício Quintella, enfatizou a parceria do Governo do Ceará com o Governo Federal, e disse que parcerias como essa “são importantes e constroem”. Quintella também citou a celeridade da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) no processo de regularização do aeroporto, que já possui voos confirmados para julho. “Aqui em Jericoacoara, não tenho a menor dúvida de que o equipamento será motor para o desenvolvimento regional”, resumiu. Segundo o ministro, outros aeroportos regionais serão viabilizados em locais mais isolados do País para “aproximar os brasileiros”.

Voo inaugural veio de Congonhas, São Paulo

Voo inaugural veio de Congonhas, São Paulo

Também de acordo com o secretário, um trabalho de pesquisa ambiental está sendo realizado em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para melhorar e controlar o acesso, o estacionamento, além da coleta de lixo, água e esgoto na localidade.

equipamento instalado no município de Cruz, próximo à praia de Jericoacoara

Equipamento instalado no município de Cruz, próximo à praia de Jericoacoara

Para a moradora e gerente de um hotel na região, Silfer Ferrer, a chegada do aeroporto deve trazer, também, projetos de sustentabilidade para a localidade. “Espero que, com o aumento de turistas, seja incentivado o prática do principal esporte da região, o kitesurf”, indicou. A turismóloga Jalila Paulino, que acompanhou a gerente na inauguração do espaço, complementou: “É preciso, também, que haja orientação para os turistas na conservação de Jericoacoara”.

Além do voo semanal fretado pela CVC e operado pela Gol, que vem de Congonhas, a empresa aérea Azul iniciará, a partir de julho, a operação do voo Campinas/Jericoacoara (semanal) e do voo Recife/Jericoacoara (quatro vezes por semana). Voos regionais, como o de Fortaleza para a praia do Litoral Oeste cearense, por exemplo, serão operados até o fim deste ano.

Com a soma dos voos, a projeção é de que a localidade aumente em 20% o número de turistas ao longo dos próximos três anos, chegando a receber 10 mil visitantes por mês. Anualmente, Jericoacoara recebe cerca de 600 mil visitantes.

Investimento

A obra, realizada pela Setur e pelo Departamento Estadual de Rodovias (DER), teve investimento de R$ 90,4 milhões, sendo R$ 80 milhões do Governo do Ceará e R$ 14,4 milhões da Secretaria da Aviação Civil, do Governo Federal. Além do equipamento, a Setur e o DER pavimentaram a CE-182, estrada que leva à Praia do Preá e à Vila de Jericoacoara, com investimento da ordem de R$ 4,5 milhões, parte do Programa de Valorização da Infraestrutura Turística do Litoral Oeste (Proinftur).

Saiba mais

O Aeroporto Regional de Jericoacoara também faz parte do Proinftur. A pista de pouso do equipamento tem 2.000 x 45 metros e estacionamento de 1.200 m².

Fonte: Portal do Governo do Ceará

Léo Mackellene:Como gota de óleo na superfície da água

Carlos Haroldo Vasconcelos

Poeta, letrista, ativista cultural

Livro foi lançado na Bienal Internacional do Livro do Ceará, em abril deste ano. Fotos -Arquivo

Livro foi lançado na Bienal Internacional do Livro,em abril deste ano.Fotos -Arquivo

 O livro do Léo chegou às minhas mãos em um momento não exatamente favorável à leitura. Eu estava no meio das mil e duzentas páginas de O Homem Sem Qualidades, quando resolvi encaixar um livro sobre a boêmia de Paris nas primeiras décadas do século XX, para desopilar de Musil. No meio das duas leituras, soube da existência de um Clube de Leitura em Fortaleza que estava promovendo uma leitura coletiva de As Aventuras da Menina Má, de Vargas Llosa e iniciei esta outra leitura com prazo para concluir.

Escritor sobralense Léo Mackellene

Escritor sobralense Léo Mackellene

Foi com esta angústia de leitor com três leituras em aberto que encontrei com o Léo, a propósito, numa livraria, lugar, aliás, em que todo leitor experimenta delícia e a angústia de passar pelas prateleiras e acenar para todos os livros que sabe ser impossíveis de ser lidos nem em três ou quatro vidas.

Foi lá que recebi Como gota de óleo em superfície de água, a capa bonita, autografada cuidadosamente, no ato, com as mãos multi-artistas na cria.

Horas depois, em outro tempo e lugar, me vi com um indesperdiçável estoque de tempo livre e o livro que eu tinha nas mãos era justo o da capa inquieta, meio arte moderna meio taoísta e decidi ler o prefácio.

Só parei duzentas páginas depois, ao ser ejetado da minha posição de leitor, no amanhecer de um dia cheio de compromissos que se seguiu num hiato destes de que a vida moderna esta repleta, para só então pegar no exemplar e concluir num segundo e lancinante fôlego sua leitura vertiginosa.

Citei as leituras que vinha fazendo para dizer da primeira grande cracterística que salta do livro: é uma destas obras que destrava um leitor truncado. Atropela filas de livros por seu ritmo ágil, por sua cadência e sua musicalidade.

Não se engane o leitor de que é um livro fácil, raso. Tem os seus desafios como a miríade de personagens, a teogonia que – se revelará – antecede as sagas entrelaçadas dos protagonistas, personagens esses tratados com zooms de câmera literária, nunca periféricos ou menores, cada um com seu fascínio.

Também não é um desafio menor, mas que presenteará o leitor com uma experiência de fruição artística das mais prazerosas, atravessar silenciosamente as sutis transferências de papel narrativo entre os personagens, executado com muita felicidade pelo autor, que parece ter meramente se dado ao trabalho de ouvir cada persona, psicografando a própria ficção.

Não é, no entanto, um livro hermético, é uma obra pop, até. Talvez um romance de geração. Neste caso, um retrato contemporâneo de uma geração de pessoas excessivamente comuns, com suas cicatrizes, suas referências de cultura pop, sua densidade afetiva, mas, sobretudo sua juventude.

Um livro agradável e instigante, com doses acertadas de sexo, drogas e rock’n roll, mas sem concessões estéticas. Passa ao largo das fórmulas de oficinas e não cria artifícios de literatura de entrentenimento, mas também evita um distanciamento erudito bem a gosto dos personagens que citam de Rimbaud a Renato Russo e transitam bem entre a academia e as ruas.

 Cada leitor é um e traz suas próprias referências. E cada leitor, um susto. Eu me arrepei todo com trechos de narrativas e descrições das três principais cidades em que se passa a história – a quem o autor – a maneira de Italo Calvino, em As Cidades Invisíveis – atribui nomes que muito falam por si (Pracabá, Promessa e Medida do Bonfim).

Com o passar das páginas, o leitor vai sentindo introjetar a alma dessas cidades.

Outra inquietação é a entrada na história de personagens reais. Mais uma sutileza tênue que o romance traz com fina execução, que levará aos leitores, boa parte dos quais reconhecerão estas biografias, certamente, profunda emoção.

Neste sentido, personagens realistas encontram personagens reais e o romance se avizinha de uma inquietante realidade aumentada. Os leitores são levados a percorrer pontes e escadas sem corrimão entre a realidade e a ficção, com grande liberdade.

Com o amadurecimento dos personagens e dos acontecimentos, o que é uma história sobre amor e amores, reinvenção, destino e estrada, uma geração e suas influências, encontros, sobretudo encontros, amálgama, amplia-se. O livro, que vinha num mérito de emprestar uma profundidade filosófica a temas leves, cotidianos, quase banais, confronta os personagens narradores com realidades mais profundas e flerta com o existencialismo (à propósito, A Náusea, de Sartre, também é permeada por uma história bem comum de amor) e quando o faz, faz talvez no sentido contrário, o de emprestar leveza ao que é profundo.

Como gota de óleo na superfície da água é um título super feliz não só pela beleza da metáfora que encontrou o Léo. Mas talvez fale da forma também de como o romance conseguiu juntar uma pletora de sentimentos, de vozes, de rastros de histórias, de pistas sobre uma geração, num todo rico e harmônico, costurado com naturalidade.

A angústia de todo leitor é ser confrontado com grande oferta de livros e o sempre exíguo tempo que exige eleger prioridades. Pois Como Gota de Óleo na Superfície de Água entrega, em troca de cada minuto de leitura – e, em seu ritmo voraz– um grande prazer literário.

 Fonte: Jornal Correio da Semana 737,pag 4. Sobral(CE),24 de junho de c2017

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