Técnicos conhecem potencialidades agrossilvipastoris

 

Área do Sistema Agrossilvipastoril na Embrapa, em Sobral.Foto-Adilson Nóbrega

As potencialidades de sistemas agrossilvipastoris para o desenvolvimento rural foram abordadas no intercâmbio que reuniu Embrapa e técnicos da Secretaria do Desenvolvimento Agrário do Estado do Ceará (SDA), Ematerce e Instituto Agropólos nos dias 6 e 7 de fevereiro. Após um primeiro dia de palestras sobre o tema em Fortaleza (CE), os técnicos, envolvidos no Projeto de Desenvolvimento Rural Sustentável São José III, do Governo do Estado, visitaram comunidades rurais e o campo experimental da Fazenda Crioula, da Embrapa Caprinos e Ovinos em Sobral (CE), nesta quarta-feira (7), para conhecer experiências de sistemas de produção locais.

Na passagem por Sobral, os participantes do intercâmbio estiveram, pela manhã, na comunidade Sítio Areias, onde observaram como os agricultores locais implantaram um Ásistema de produção agroflorestal, que preserva a vegetação nativa e possibilita a produção de milho, feijão, abóbora e melancia em regime de agricultura familiar. À tarde, visitaram o Sistema Agrossilvipastoril na Embrapa, para verificar como técnicas de manejo da caatinga, como o raleamento [retirada de árvores de menor potencial forrageiro para favorecer entrada de luz e rebrota de sementes], são úteis para favorecer a produção agrícola, a preservação do solo e aproveitar melhor recursos naturais.

Para os participantes, a experiência de sistemas de produção que integrem produção agrícola, pecuária e exploração sustentável da mata nativa consiste em alternativa viável para o meio rural no semiárido. “Precisamos trabalhar mais com esses sistemas, para minimizar a degradação ambiental, conduzir a recuperação do solo, evitar o uso de agrotóxicos. Divulgar e replicar esses sistemas é importante para o futuro de nossa geração”, afirmou Renato Carvalho, técnico da Ematerce que atua em Tauá (CE).

Wander Soares, técnico da SDA, destacou que um dos aspectos positivos vistos nos sistemas agrossilvipastoris é a possibilidade de preservação da caatinga a partir de recursos locais. “Existe uma preocupação com a recuperação da caatinga e muitos trabalham de outras formas, implantando espécies vegetais exóticas, por exemplo. Essas experiências mostram que é possível recuperá-la com nossos recursos naturais e ainda ter boa produção”, avaliou ele.

Já o técnico Luiz Araújo Gonzaga, que atua na Ematerce em Pacajus (CE), destacou que as políticas públicas devem dar mais atenção a sistemas integrados de produção. “Esses sistemas são muito interessantes para fins como o combate à desertificação. Mas trazem resultados a longo prazo e, por isso, é preciso que órgãos públicos apoiem essas iniciativas, evitando o imediatismo”, ponderou ele.

Na visita a Sobral, os técnicos foram acompanhados pelo zootecnista Éden Fernandes, analista da Área de Transferência de Tecnologia da Embrapa Caprinos e Ovinos, que considerou o intercâmbio válido, como forma de aproximar os técnicos de extensão rural dos resultados de pesquisas agropecuárias com foco em desenvolvimento sustentável. “Estes técnicos conduzem ações de um projeto relevante de desenvolvimento. Temos uma troca de informações que só favorece as políticas públicas”, considerou Éden, que também ministrou palestra sobre os sistemas agrossilvipastoris no primeiro dia do intercâmbio, em Fortaleza.

Fonte: Jornalista Adilson Nóbrega (Embrapa Caprinos e Ovinos)

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