Archive for 17 de Maio de 2018

Mostra reconta história da imprensa cearense

 

A curadoria é do jornalista Nilton Almeida e de Jacqueline Medeiros.Foto-Mateus Dantas

Aberta desde o último dia 9 de maio no Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza (Centro), a exposição Casa do jornalista: Fragmentos de uma imprensa citadina traz a reboque do próprio panorama da história inerente à profissão, um propósito bem maior. “Quando resolvemos montá-la, nossa ideia era a de fazer um Museu da Imprensa. Parte desse material pertence à ACI (Associação Cearense de Imprensa), que em julho completa 93 anos de criação, mas também temos acervos particulares – o que já dá condições de termos um museu”, afirmou Nilton Almeida, curador da mostra juntamente com Jacqueline Medeiros.

Numa visita guiada, Nilton iniciou a explanação por alguns vídeos que dão noção do surgimento da profissão no mundo e, consequentemente, da instituição. “Percebemos que a ACI, no caso, é uma entidade que reúne uma parte importante da história da Cidade. Com o surgimento do rádio, da TV, houve todo um impacto na vida das pessoas. Estamos numa época, para você ver, que o papel da própria imprensa está sendo questionado”, frisou. Em destaque, ao primeiro plano, o visitante depara-se com um exemplar do jornal intitulado Mutirão, “certamente o único jornal, de fato, considerado alternativo do Ceará. Um dos associados à instituição, José Edmundo de Castro, possuía uma coluna chamada Cacete do Dedé, onde o foco eram realmente as críticas pesadas”, destacou Nilton.

Entre objetos, desenhos, fotos, fichas de associados, a exposição liga-se com a atualidade a partir, por exemplo, do trabalho de Cildo Meireles e seu Projeto Cédula – Inserções em Circuitos Ideológicos (1975), que traz a frase “Quem matou Herzog?” carimbada numa nota de cruzeiro. “Ele autorizou que o coletivo Cancão de Fogo recriasse essa obra (desta vez, carimbando a frase ‘Quem matou Marielle Franco?’ numa nota de um real), que é o questionamento de um paradigma da luta pela democracia”.

Conectando os veículos de comunicação às pesquisas acadêmicas, Casa do Jornalista reúne alguns livros e, na parede, há o registro do fotógrafo Gentil Barreira de uma das obras do cearense Sérvulo Esmeraldo, fixada nos jardins do Jornal O POVO. “Pela pesquisa que nós fizemos, esta é a única obra que remete à um veículo de comunicação. Nossa intenção era tê-la trazido para cá, mas conversando com sua esposa, vimos que ficaria impossível por conta do peso, sua estrutura, enfim…”

Uma reprodução do Plebeu Gabinete de Leitura, situado no quinto andar da ACI, chama a atenção dos visitantes. “Seu acervo, doado pela pesquisadora Adelaide Gonçalves, foi todo incorporado à ACI e reúne quase 18 mil livros”, explicou o curador, seguindo para a parte mais importante da exposição: as fichas de inscrição de alguns associados com suas respectivas funções, em sua maioria, inexistentes na atualidade, como linotipista, offset, radiofoto e operador de MDT.

Ao lado direito, fotos de algumas candidatas à “Rainha da Imprensa” deparam-se com um grande painel ladeado por pequenas fotos: respectivamente, o 1º Encontro Nacional de Associações de Imprensa (julho/ 1975) e todos os presidentes que já passaram pela ACI. Ao final, um pequeno espaço reproduz o que seria a redação de um jornal no final dos anos 1970 e uma máquina do fotógrafo Zé Rosa presta homenagem ao profissional.

Exposição Casa do jornalista: fragmentos de uma imprensa citadina

Quando: até 30 de junho. Onde: CCBNB-Fortaleza (rua Conde d’Eu, 560 – Centro). Visitação: 10h às 19h (ter a sáb).Info: (85) 3209 3500 (para agendamento de visitas)

12/05/2018 | 01:30 -Teresa Monteiro O Povo online

Maio 2018
S T Q Q S S D
« abr    
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031