Lançado livro Juarez Barroso: O Poeta da Crônica-Canção

Juarez Barroso, com seu texto ácido, falava de compositores e instrumentistas. Divulgação

Com uma obra que ainda se descobre e se interroga, Juarez Barroso era um amante do samba. Espontâneo e telúrico, o escritor cearense redescobriu a algazarra dos botecos e agitação das festas de subúrbio: aí, no meio do povo, encontrou as cores de seus hilários e profundos escritos, parte deles dedicados a entender a trajetória da canção brasileira. Com organização da escritora Natércia Rocha, Juarez Barroso: O Poeta da Crônica-Canção mergulha na profunda e divertida crônica jornalística-literária de um ficcionista apaixonado por música popular.

Jornalista e escritora Natércia Rocha, organizadora do livro

Por meio da crônica jornalística, Juarez deixou valiosos registros de experiências colhidas no meio musical, onde encontrou a matéria-prima de narrativas da vida popular, cuidadosamente colhidas ao redor de mesas fartas e do vai e vem das cozinhas de sambistas do morro carioca, a exemplo de Cartola, de quem Juarez foi produtor do segundo LP. “Juarez era um grande observador da alma humana, e soube colocar tudo na ponta dos dedos”, pondera Natércia.

Em meio a diversas cartas, fotografias, crônicas e outros textos recuperados do acervo pessoal de Juarez, Natércia Rocha encontrou um grande volume de jornais antigos do Rio de Janeiro, datados entre 1960 e 1976. “Eu sabia que, antes de ele falecer, estava escrevendo um livro sobre MPB. Então comecei a identificar e segmentar aqueles textos por eixos temáticos”, conta.

Juarez Barroso: o poeta da crônica canção está, deste modo, dividido em quatro partes: Estudos de Samba, Estudos de Choro, Estudo de Cultura Afro e Crônicas Musicais. De linguagem ácida, o livro apresenta narrativas que giram em torno de grandes compositores e instrumentistas. Dentre eles, Monarco, Paulinho da Viola, Wilson Moreira, Zé Di, Giovana, Dino Sete Cordas e muitos outros.

Para Eduardo Pontin, filósofo e pesquisador musical, Juarez foi um observador incansável das letras e personagens do samba, além de ter tido uma percepção muito aguçada da vida urbana. Com uma dose de impressionismo no olhar, ele encontrou um jeito todo próprio de traçar as cores e os nuances dessa “humanidade suburbana”. “Ele era um esteta por natureza, e todo esse convívio íntimo com os sambistas o fez aperfeiçoar ainda mais sua análise”, completa.

“O livro é um convite para se conhecer a história de nossa música por meio de quem a viveu intensamente”, considera Eduardo Pontin. De fato, especialmente no último ano de sua vida, Juarez Barroso tornou-se um personagem da música popular brasileira. Ele ajudou a fundar, inclusive, o Clube do Choro, em 1975. “Além de ficcionista, Juarez foi um investigador da música popular, e isso deu corpo ideológico para legitimar movimentos populares como o samba”, finaliza.

Para Natércia, “realizar este trabalho artesanal, digitar letra após letra, sempre com os olhos na lupa”, foi um dos maiores desafios ao organizar o livro. Apesar do cansaço, ela destaca o prazer de sentir a “proximidade” de Juarez durante o processo. “A presença dele era algo constante, me emocionei chorei, dei risada ao redor dos textos”, lembra. Ao lado de Mundinha Panchico e o resto do pessoal; Joaquinho Gato e Doutora Isa, a coletânea Juarez Barroso: O poeta da crônica-canção é a quarta obra do pesquisador, como costuma pensar Natércia. “Juarez certamente desejava este livro muito mais do que eu, por isso meu desejo é honrar o nome dele”, finaliza.

Juarez Barroso: O Poeta da Crônica-Canção

Organização de Natercia Rocha

Editora Substânsia (204 páginas)

Quanto: R$ 30

À venda no Mercado Livre ou na Livraria Lamarca (av. da Universidade, 2475 – Benfica)

O POVO online 01:30 | 07/11/2018

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