Editoras apostam em biografias de mulheres de líderes

               

Jacqueline Kennedy, ícone fashion e mulher do ex-presidente americano John Kennedy, é a protagonista de uma biografia sem muitas revelações.

Há uma nova moda no mercado editorial americano: biografias de mulheres de personagens históricos. Só nos últimos quatro meses, foram lançadas obras sobre Jenny Marx (mulher de Karl Marx), Eva Braun (Adolf Hitler), Jacqueline Kennedy (John Kennedy) e Maria Bolena, que conseguiu a proeza de ser amante tanto do rei Henrique 8º, da Inglaterra, quanto do rei Francisco 1º, da França.

                 “É uma moda recente. Talvez tenha acontecido um esgotamento das grandes biografias e decidiu-se partir para as mulheres”, diz Otávio Costa, editor-assistente da Companhia das Letras. Ele cuidou da publicação de “Eva Braun – A Vida com Hitler” no Brasil. O livro, uma tradução do alemão, saiu antes por aqui do que nos EUA. É a única das obras citadas acima que já foi publicada no país.

                  As autoras dos livros sobre Jenny, Eva e Maria Bolena deram o mesmo argumento para a reportagem em defesa da importância histórica dos seus trabalhos: só é possível conhecer de fato a personalidade desses personagens históricos entendendo como eles tratavam as suas mulheres, dizem.

Hitler paquerador

                   A historiadora alemã Heike Görtemaker, por exemplo, narra um Hitler paquerador ao conhecer a garota loira de 17 anos que trabalhava no estúdio onde ele se deixava fotografar. Líder de um partido em ascensão, ele visitava o local para convidá-la para passeios de Mercedes e para reclamar que vivia cercado demais por homens. Eles começaram um romance, e Hitler enrolou Braun por 16 anos. Dizia não poder se casar por ter já ser casado “com o povo alemão” e mantinha o relacionamento em segredo.

                   Por outro lado, Braun se sentia livre o suficiente para dar broncas em Hitler por atrasos e para pedir a ele que ficasse quieto quando a conversa estava incomodando. Karl Marx também levou anos para se casar, mas por outro motivo.

               O pai de Jenny, moça bonita de família aristocrática, achava que o rapaz não tinha condições financeiras de dar uma vida confortável para ela. E não tinha mesmo. Depois de ter um relacionamento secreto por sete anos com Jenny, eles finalmente conseguiram se casar. Ela trocou o conforto de uma família de elite por uma vida pobre com Karl. O episódio mais notável de “luta de classes” na vida de Marx ocorreu quando ele engravidou a empregada – e não assumiu o filho bastardo. Já o livro sobre Jacqueline Kennedy não traz muitas revelações sobre o relacionamento com o marido.

                No Brasil, existem poucas obras sobre a vida amorosa de grandes personagens históricos. Algumas figuras, como a marquesa de Santos, amante de Dom Pedro 1º, já inspiraram livros, mas os best-sellers recentes sobre história (como os de Laurentino Gomes ou Leandro Narloch) não se concentram nesse aspecto.

Fonte: DN/Caderno 3

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