Reforma em dois tempos – Artigo do Professor Teodoro

Opinião/Professor Teodoro -Deputado Estadual

Deputado Professor Teodoro (PSD). Foto - Arquivo

Deputado Professor Teodoro (PSD). Foto – Arquivo

O Ministério da Educação resolveu executar, em duas modalidades, a reforma da base nacional curricular, que ainda se encontra em fase de consulta e estudos por parte de especialistas. Pensada para abranger toda a educação de base, o MEC optou por restringir a medida ao Ensino Fundamental. O que poderia parecer mero detalhe técnico ou burocrático, a novidade pode acarretar mudanças profundas na educação nacional.

A revisão do currículo, com uma base nacional, tem a clara intenção de buscar a equidade na oferta do ensino público. De acordo com o objetivo, todos os alunos, em qualquer parte do País deverão dominar um conjunto comum de conteúdos para a fase de ensino que concluírem. Não se pode falar em engessamento da grade curricular, tendo em vista que há espaço para outras disciplinas e conteúdos regionais.

A nova concepção modifica o Ensino Médio, tendo como foco a vocação do aluno. Dependendo da área de sua escolha, haverá mais conteúdo de Português, Matemática ou Ciências. Quando o aluno ingressar no Ensino Médio, seus estudos já serão direcionados para conhecimentos de seu interesse pessoal e profissional. O Enem vai se alinhar à nova situação, cobrando mais Matemática, por exemplo, para quem pretende seguir a área de exatas.

Ao lado da grade curricular, não se pode dispensar o cuidado com a aprendizagem na idade certa. O programa, de muito êxito no Ceará, deveria ser adotado com mais ênfase. Como funciona em sistema de pacto, que depende da vontade de gestores, é preciso ter alguém que os induza a tomar essa iniciativa crucial para a educação inicial. O primeiro impacto é o da alfabetização, pois ainda há forte distorção entre idade/aprendizado. Sem resolver isso, continuaremos com alto índice de evasão escolar.

Se um currículo adequado é bom até o ensino fundamental, ele é decisivo no Ensino Médio, que hoje é o grande gargalo do sistema de ensino público. O nível de proficiência vai caindo quando se aproxima do final do ensino médio, que é a fase onde há mais abandono escolar. Pensava-se que os jovens abandonavam os estudos em busca de emprego. Mas, há um enorme contingente deles que nem estudam nem trabalham fazendo parte do que se chama de geração “nem-nem”. Com um currículo mais próximo da realidade de jovens e adolescentes e com foco no mercado de trabalho, certamente teremos um bom início para mudar o panorama em que vivemos. Menos de um terço dos alunos completam o Ensino Médio. Apenas 16% dos jovens cursam o ensino superior.

O novo ensino médio, em suas ramificações, abrange o ensino técnico superior. Nem todos têm a vocação acadêmica de cursar uma universidade. O ensino técnico é tão bom quanto. As antigas escolas técnicas e os atuais institutos técnicos mostram ensino de excelência nessas áreas, e com forte demanda de alunos. O novo currículo, com a reformulação do Ensino Médio e adaptação do Enem, pode representar um grande avanço na educação brasileira.

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