Archive for 10 de maio de 2022

Existe um Museu da Escrita em Fortaleza e você precisa conhecer

Seis mil objetos relacionados ao universo da escrita estão presentes no museu dedicado ao segmento Foto: Fabiane de Paula

Quem passa em frente, pode não saber. Mas, se arriscar entrar, custará a sair. Localizado na estreitíssima Rua Dr. Walder Studart, no Dionísio Torres, o Museu da Escrita é espécie de santuário. Aberto há quase dez anos, resguarda parte da História do mundo e da nossa. Um recanto de possibilidades, tendo a linguagem por signos gráficos como bandeira.

A fachada do lugar – amarela com detalhes em vermelho – reluz. Lá dentro, mais cores. Um painel em azul, verde e roxo exibe a frase “Bem-vindos ao Museu da Escrita”. Está em vários idiomas. Antecipa o fluxo linguístico. “É uma verdadeira viagem nesse pequeno labirinto”, introduz a pedagoga e educadora da casa, Polyanna Marques.

Ela quem nos conduz pelo equipamento, que se agiganta a cada corredor. A dita “viagem” – e é mesmo – inicia por onde tudo começa: na Pré-História. O recorte do museu não é cronológico. Mas é bonito perceber assim o princípio das coisas.

Antes de adentrar a primeira das 15 salas do equipamento, uma representação em tamanho real do ambiente pré-histórico convida o olhar. As pinturas rupestres são uma das mais antigas manifestações estéticas do ser humano. A sensação, portanto, é de transporte. Uma mulher, três homens e uma criança reconstroem o passado. Gênese nossa e da escrita.

Passinhos adiante, uma ala toda dedicada à imprensa. O salto temporal destaca mesas para encadernação de livros e outros trabalhos tipográficos. Há também máquinas de impressão fabricadas em diversos países; réplica em miniatura da prensa de Gutenberg (1400-1468) e, falando nelas, prensas e mais prensas tipográficas, além de obras sobre o tema. Uma riqueza.

Corta para outro capítulo. A Sala 3 é conhecida como a sala do Egito. Pudera: mais representações em tamanho real mergulham o público na exata dimensão do ofício. Fico fascinado ao ver os primeiros objetos de escrita – o cálamo e a cunha. Esta última palavra remete a outra: cuneiforme. Criada pelo sumérios, é dos primeiríssimos tipos conhecidos de representação gráfica. Entre quadros, papiros reais e tábuas de argila, encontro um relicário.

Conversa íntima

Todo o acervo do museu pertence ao fundador, José Luiz Gomes Morais, 74. Algumas peças chegaram à casa também por meio de doações. Não chego a conhecer pessoalmente seu José no dia da visita. Mas é possível senti-lo em cada recinto. É a coleção de um apaixonado.

O próprio nome do equipamento dialoga com o economista. Leva o nome da mãe dele, Maria Isaurita Gomes Morais. “Ela foi professora de uma escola em Sobral durante 35 anos. O museu surgiu como forma de homenageá-la”, explica Polyanna.

Seis mil objetos dão conta de prestar esse tributo. As crianças – principais frequentadoras do espaço, junto às escolas – adoram. Vou me arrebatando também. É fácil favoritar o lugar

Corro para a sala das máquinas de escrever. Pupilas dilatam, sorriso enlarguece. Lembro, emocionado, da que ganhei de minha tia – uma Remington 25 novinha. No ambiente, várias outras de diferentes nacionalidades, da Inglaterra à Alemanha, passando pela Itália. Fartura.

Aos mais religiosos ou pesquisadores, aquele bônus: um conjunto de 36 Bíblias editadas, cada uma delas em idiomas distintos. Já pensou conferir o livro mais lido do mundo em ucraniano, guarani ou cantonês? Oportunidade.

As surpresas seguem. Representações de monges copistas enobrecem o passeio, ao passo que a disponibilidade de documentos datilografados nos faz viver o tempo que foi há tão pouco tempo. Eis uma beleza do Museu da Escrita: quanto mais se envereda por ele, mais percebemos que aquela trajetória é nossa também.

Ainda conseguimos escrever?

Já são quase duas horas de percurso. Polyanna confidencia que a maioria dos visitantes fica mesmo até o horário-limite de funcionamento. Compreensível. Salas com enciclopédias, listas telefônicas, réguas e a evolução de instrumentos como grampeadores, apontadores e canetas geram identificação. “Olha só, eu tinha um desses”, suspiro, em vários momentos.

A coleção de lápis – maior do Brasil já registrada, com 3430 itens – é um espetáculo à parte para mim. Vibro feito criança ao recordar de um modelo cinza, com detalhes ora verde, ora laranja. Um dos meus lápis favoritos da infância. Ali toco o eterno ao recordar a ânsia de iniciar um novo ano escolar, conhecer gente, desbravar conteúdos. Era (é) bom.

Na sala com fotografias dos escritores prediletos do fundador do museu, os visitantes podem escrever algo na máquina de datilografar Foto: Fabiane de Paula

Na sala com fotografias dos escritores prediletos do fundador do museu – Jorge Amado (1912-2001), Cecília Meireles (1901-1964), José de Alencar (1829-1877) e Fernando Pessoa (1888-1935) são alguns – me permito a experiência de tentar escrever algo na máquina de datilografar, bem próximo às antigas e pesadas escrivaninhas. Arrisco “A arte existe porque a vida não basta”, de Ferreira Gullar (1930-2016). Pouca habilidade. Preciso melhorar.

A travessia finaliza com passagem pela sala de publicações em Braille; outra dedicada apenas a cadernos de caligrafia e coleção de selos e cartas; e a reconstituição de uma sala de aula, rememorando o ofício da professora que inspirou a criação do museu. Uma lojinha com mais de 50 itens relacionados à escrita completa o trajeto. Impossível levar apenas uma peça.

Antes da despedida – o céu fecha nesse momento, deveras choroso pela partida – escrevo algo numa folha, munido de uma caneta de pena. O pensamento vem forte: ainda conseguimos escrever assim, a próprio punho, na superfície das coisas? Que traço tem a nossa caligrafia, que curva faz a nossa emoção? 

O Museu da Escrita nos recupera esse fôlego. E ainda chama para mais perto: é preciso conhecê-lo. Arriscar entrar e custar a sair. Percebê-lo. Tem um pedaço da gente lá.

Serviço
Museu da Escrita Profª Maria Isaurita Gomes Morais
Rua Dr. Walder Studart, 56 – Dionísio Torres. Funcionamento: de terça a sábado, das 9h às 17h. Após às 14h, é necessário agendamento via WhatsApp ((85) 98695-3244). Ingresso: R$40 (inteira). Valor especial para grupos escolares (R$15 por criança). Perfil nas redes sociais: @museudaescrita_

Diário do Nordeste – Verso – Escrito por Diego Barbosa, diego.barbosa@svm.com.br 09:00 / 04 de Maio de 2022.

Biquini Cavadão e Paralamas do Sucesso fazem show em Sobral

Bandas também se apresentam no Festival I'Music, em Fortaleza(foto: Reprodução/Instagram)
Bandas também se apresentam no Festival I’Music, em Fortaleza(foto: Reprodução/Instagram)

A comemoração dos 249 anos de Sobral terá duas atrações nacionais: Biquini Cavadão e Os Paralamas do Sucesso. A notícia foi compartilhada pelo prefeito Ivo Gomes em publicação do Twitter na segunda-feira, 9.

“Paralamas do Sucesso e Biquini Cavadão juntos e misturados. Um super show”, escreveu na rede social. O evento acontece no dia 4 de julho e demais detalhes ainda serão divulgados. No ano de 2021, o aniversário do município foi realizado em formato virtual, com sorteio de brindes.

O POVO online – Vida & Arte – 17:30 | Mai. 10, 2022 Autor Lara Montezuma Tipo Notícia

“Prejuízo de diversas ordens”, diz Izolda após reunião no STF sobre litígio entre Ceará e Piauí

 Governadora Izolda Cela revoga tarifa de contingência da conta de água(foto: FERNANDA BARROS)
Governadora Izolda Cela este no Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: FERNANDA BARROS

A governadora do Ceará, Izolda Cela (PDT), esteve no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira, 10, para tratar sobre o litígio territorial entre o Ceará e o Piauí. Izolda participou de numa audiência com a ministra Cármen Lúcia. Ela classificou que a perda dos municípios seria “incalculável” para o Ceará, mas que “nós temos uma posição de confiar no bom senso, naquilo que a realidade evidencia, na possibilidade que o diálogo oferece, nas boas relações que nós temos, relações republicanas, muito cordiais com o estado do Piauí”.


Segundo a pedetista, o prejuízo seria “muito especialmente” no tocante “às pessoas na sua história, no seu pertencimento, nas suas raízes”. 
Na semana passada, Izolda havia informado que iria solicitar uma audiência no STF para discutir a polêmica relativa ao litígio entre Ceará e Piauí. O objetivo da reunião seria “defender” o estado. A disputa já dura mais de 20 anos, após ação do estado vizinho, e envolve 13 municípios cearenses, o que corresponde a uma área de 2.821 quilômetros quadrados.

Segundo Izolda, a Procuradoria Geral do Estado, em parceria com o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), já vêm realizando a defesa do estado. Agora, ela quer ir além, se envolvendo diretamente no processo. “Solicitarei uma audiência no Supremo Tribunal Federal (STF) para tratar sobre o caso e defender nosso Ceará”, destacou.

Parte da região que hoje pertence à Serra da Ibiapaba e regiões próximas, no extremo oeste cearense, estão em processo de litígio por causa de ação ajuizada pelo Governo do Piauí. O estado vizinho reclama para si um território de aproximadamente 3.000 km² (cerca de 1,9% do território cearense), onde atualmente vivem 244 mil pessoas.

O Piauí acusa o Ceará de avançar sobre seu território e ignorar documentos históricos, como o assinado pelo imperador dom Pedro II, em 1880, cuja afirmação é de que a região da Serra da Ibiapaba pertence ao Piauí. Para tanto, em 2011, os piauienses ingressaram com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF), reivindicando essa área que fica na divisa entre os dois estados. São 13 municípios envolvidos, dos quais seis podem passar a ser piauienses e sete podem perder parte de sua atual extensão territorial.

O POVO online – 16:42 | Mai. 10, 2022 Autor Marcelo Teixeira Tipo Notícia

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