Morre escritor cearense Carlos Emílio Correia Lima

Primeiro livro de Carlos Emílio foi publicado quando ele tinha apenas 14 anos; escritor era conhecido pela articulação na cena cultural de Fortaleza(foto: Divulgação/Felipe Palhano)
Primeiro livro de Carlos Emílio foi publicado quando ele tinha apenas 14 anos; escritor era conhecido pela articulação na cena cultural de Fortaleza(foto: Divulgação/Felipe Palhano)

Morreu neste sábado, 2, o escritor cearense Carlos Emílio Correa Lima. Ele sofreu uma infecção generalizada após uma intervenção odontológica. Nascido em 1956, Carlos Emílio publicou oito livros. O primeiro, “Solário – contos infantis para adultos” foi editado em 1970, quando ele tinha 14 anos.

Ele era irmão de Emília Correa Lima, morta em fevereiro de 2022, aos 87 anos. Ela foi eleita miss Brasil em 1955, sendo a primeira cearense a ganhar o título de mulher mais bonita do País.  

“O Carlos foi um grande literato. Fui bastante impactado quando li seu livro ‘Além, Jericoacoara’ (1982). Além disso, era reconhecido nacionalmente,” afirma Fabiano Piúba, secretário de Cultura do Ceará.

Além dos livros publicados, Piúba também destaca a participação de Carlos Emílio no cenário cultural de Fortaleza. “Ele movimentava bastante a cena cultural da Cidade, participando da criação de rodas de conversa sobre poesia e do projeto Leitura no palco sob a passarela, do Dragão do Mar. Carlos deixa uma herança literária e cultural muito importante não só para o Ceará, mas também para o Brasil”, finaliza.

Também escritor e amigo do artista, Oswald Barroso salienta o pioneirismo de Carlos Emílio na criação de revistas literárias. “Conheci o Carlos na época da revista ‘O saco’, e ele sempre foi um grande articulador cultural. Ele também foi um dos primeiros cearenses a publicar um livro por uma editora nacional, tornando-se conhecido no Brasil. Seu livro ‘Cachoeira das eras’ (1979) foi um marco para a literatura cearense,” afirmou. A revista “O saco” circulou no Brasil nos anos 1970 e foi uma das principais publicações literárias do período.

Como grande articulador cultural, Carlos Emílio também destacou-se por ajudar na formação de novos artistas. É o caso de Ylo Barroso, sobrinho de Oswald. “Conheci o Carlos no final dos anos 1990. Ele me ligou para falar sobre meu avô, Antônio Girão Barroso. Queria informações para realizar uma homenagem a ele no ‘Leitura no palco sob a passarela’, projeto que ele coordenava no recém-criado Dragão do Mar. A partir daí, nos tornamos muito amigos. Como eu começava a escrever naquela época, Carlos me deu muitas dicas. E fez isso com outros novos artistas, não só da literatura, mas também da música e teatro,” relembra Ylo.

A Secretaria da Cultura do Ceará também lamentou a morte do cearense. Em nota, o órgão destacou a criatividade e talento do escritor: “Com seus textos intensos e densos, ocupava as rodas de leitura, calçadas, palcos, corações e mentes dos amantes da leitura e escrita”.

O POVO online – Vida & Arte – 14:07 | Abr. 02, 2022 Autor Carlos Viana

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