Pensar o Brasil – Artigo do Professor Teodoro

Opinião/Professor Teodoro – Deputado estadual

Deputado Professor Teodoro (PSD). Foto - Arquivo

Deputado Professor Teodoro (PSD). Foto – Arquivo

A crise política vem aumentando de temperatura desde a instalação da Comissão Especial de Impeachment. O tema ganhou as ruas, com os dois lados realizando manifestações. Os governistas afirmam que o impeachment é golpe. Mesmo previsto na Constituição, ele seria um instrumento de golpe, pois não haveria crime de responsabilidade da presidente. A oposição alega que há, sim, crimes, e o caso vai a julgamento.

Ao lado da crise política, outra não menos grave se apresenta nas manchetes que dão conta de prejuízos recordes em empresas estatais, volta da inflação, doenças, aumento do déficit, novo corte no orçamento (educação, mais uma vez, é o setor que mais perde). É certo que o cenário econômico contamina o político, que dificulta a solução. Numa espiral crescente em que as duas crises se acentuam, apontando para o caos.

A agenda dos três poderes foi capturada pelo tema que se espraia por todo o Brasil nas capas de jornais, nas telas de TV e pelo rádio, penetrando os mais diversos espaços de concentração, como as praças e os campos de futebol. O governo já não governa a pleno, gasta muito da energia em sua defesa política. O Congresso, não se fala noutra coisa. E o Judiciário também se envolve nas discussões diante das demandas que lhe chegam.

Enquanto isso, o Brasil definha, pois a inércia governamental compromete as ações para redesenhar o futuro de nossa nação. Fala-se que, salvando-se do impedimento, a presidente Dilma teria um restante de governo combalido. A oposição exploraria essa debilidade. Noutra vertente, com o impedimento, assumiria o vice, Michel Temer. Também não teria vida fácil, pois os que lhe farão oposição ameaçam parar o país.

Politique d’abord, repetia sempre em sala de aula meu antigo professor de Ciências Sociais. A política em primeiro lugar, pois cabe à política resolver suas próprias crises. Mas a política não é um fim em si mesmo. Ela é um meio para valorizar o bem comum. Apesar do calor das discussões, não podemos deixar de pensar o Brasil. E não apenas nos interesses politiqueiros.  

Passado esse vendaval, que esperamos seja breve, devem os políticos proclamar um armistício para que possamos retomar o crescimento e assegurar os direitos conquistados nos últimos anos. Sejam os que se referem à consolidação da democracia sejam os que deram dignidade a milhões de pessoas resgatadas da miséria.

Se assim não pactuarmos, e a disputa menor prevalecer, não é bem a política o que estamos fazendo. A política, que pressupõe a conflagração, também tem como princípio o reconhecimento. Uma das saídas é buscar o que nos une. Uma das principais lutas que podemos fazer juntos, numa batalha sem trégua, é tentar enfrentar o patrimonialismo.

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